segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Se



                     




Fonte: Gallileu















É certo e notório que para a manutenção da vida precisamos basicamente de dois tipos de alimentos: O físico e o espiritual. Os seres humanos aprenderam desde o início que era necessário caçar; buscar nos frutos e plantas, alimentos disponíveis da própria natureza, a
condição para saciar a fome. 

Mais tarde, com o aumento da população surgiu a necessidade da domesticar e criar animais para o consumo. Além do cultivo de frutíferas, legumes, cereais e toda sorte de vegetais que compõem a nossa alimentação. Disso todos nós sabemos, agora:

Se o alimento físico é necessário para a nossa sobrevivência, a crença no ser superior é fundamental, mesmo que inconscientemente, até mesmo que não queiramos admitir;

Se a satisfação de saciar a fome a cada refeição nos dá prazer, esteja certo que tudo que consumires é provido por Deus. Entre os cristãos, costumeiramente agradecemos ao senhor a cada refeição;

Se o amor brota puro em nossos corações, o mesmo não se pode falar da planta que nasce do solo, ou do ser vivente que perambula ameaçado pelas contaminações dos produtos químicos;

Se o homem não soube cuidar do planeta, preservar a natureza e nos ensinou comer toda sorte de produtos alterados e comprometedores para a nossa saúde, não sabe agora enfrentar com dignidade o sistema perverso;

Se o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo e a produção de cereais, somado ao fato de que outros produtos da nossa cesta básica, não escapam de resíduos químicos, estamos diariamente correndo perigos de intoxicação por alimentos;

Se não existissem os abnegados cidadãos na luta contra o uso de agrotóxicos e os heróicos produtores (agricultores) de produtos orgânicos, o homem não teria escolha e o mundo não saberia dos perigos que corre;

Se o comportamento silencioso do sistema sobrepõe às barulhentas manifestações das minorias, a raça humana, além dos fatores naturais corre outro risco: A exterminação pelas armas químicas da lavoura;

Se não exitissem as abelhas, responsáveis pela polinização, o mundo poderia acabar, pois a humanidade não sobriveria  sem a produção dos principais alimentos. Eles dependem de abelhas para levar seu pólen de uma flor à outra e, assim, produzir frutos;

Se ao conhecermos o princípio da vida e estamos agindo de forma contrária aos ensinamentos, não fazemos uso da razão da existência;

Se eu me apavorar com tudo isso e deixar de lutar por aquilo que acredito, nem com muita oração ao Senhor terei a oportunidade de ser feliz.

Marco Medronha    mmedronha@hotmail.com


 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A mosca gigante




 Ilustração: Wilmar Marques

Uma história acontecida há mais de 10 anos, deu muito falatório e ganhou espaço em uma pequena comunidade rural, no interior de Morro Redondo. Quando os pequenos agricultores se reuniam no armazém, na igreja, no futebol, no velório ou nas festas da comunidade, o comentário era o ataque da “mosca gigante” nos pomares, principalmente nos de pêssegos. O assunto causou alvoroço e medo entre os produtores, pois segundo relatos, o moscão era maior que um desses touros da Expointer.

No meio rural, onde existia cultivo de árvores frutíferas, as famílias preocupadas com o ataque do bicho colocavam armadilhas, como medidas de prevenção ao estrago que a “mosca gigante” poderia fazer na produção. Uma verdadeira operação de guerra contra o moscão foi instalada, eram grandes estacas ponte-agudas, espantalhos gigantes e até mesmo um pulverizador preparado com inseticida, a ser aplicado no caso do inseto aparecer. Afinal, as frutas eram fonte de renda importante na maioria daquelas propriedades.

O tempo passou e nada da “mosca gigante” aparecer... Ufa! Ainda bem. Comentava a população do lugarejo. Mas, o pessoal começou a ficar desconfiado e resolveram tirar a limpo a história do moscão que estava virando lenda. A oportunidade de esclarecer o fato apareceu durante uma reunião com os técnicos da extensão rural, pesquisadores e professores universitários. O líder da comunidade convocou todos os fruticultores para uma reunião no salão da comunidade, certos de que os técnicos doutores tivessem  uma explicação.
O evento começou com gente até pelo lado de fora do salão, os técnicos iriam falar sobre o controle da mosca-das-frutas (Ceratitis Anastrepha), inseto que ataca os pomares de pêssegos ainda na floração. A comunidade não tinha luz elétrica, mas os palestrantes prevenidos levaram um gerador de luz e projetaram na parede imagens de pomares atacados pelos insetos e algumas características da mosca que causa estragos. A surpresa aconteceu quando foi projetada na parede branca a imagem (2m X 3m) de uma mosca e um dos presentes gritou apavorado: - “É ela... A mosca gigante! Eu sabia que era verdade”.
Na comunicação com os agricultores muitos fatores devem ser levados em consideração, em algumas comunidades isoladas, em que as tecnologias da informação não chegaram, as pessoas podem ter entendimentos diferentes daquilo que queremos comunicar. A realidade na qual convivem podem levar a uma compreensão literal do que ouvem ou vêem. A percepção do que falar ou do que mostrar é tarefa do educador para que não haja ruídos na informação.
Depois de resolvido o mal entendido da “mosca gigante”, para alívio geral, os palestrantes mostraram outras forma de combate contra a mosca-das-frutas, especialmente a isca tóxica. Segundo os técnicos, a arma mais indicada é o monitoramento da praga, onde é aplicado, em partes do pomar, uma substância à base de proteína que servirá de atrativo alimentar, como o produto atrai a mosca, não é preciso fazer a aplicação de agrotóxico em todo o pomar.
Através das armadilhas, o agricultor observa a necessidade de pulverizações e assim, controlando a mosca, evita um problema gigante na colheita: Frutos danificados.

Marco Medronha        mmedronha@hotmail.com




sábado, 11 de agosto de 2012

Caturritas de estúdio


Ilustração: Wilmar Marques

No sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai, a caturrita é considerada praga em zonas de cultivo de milho e sorgo ou em pomares. As aves da família do periquito, com o desaparecimento das matas onde viviam, começaram a procurar alimento nas plantações que hoje ocupam seu habitat natural. A extinção progressiva de seus predadores, a exemplo do gavião, e o alimento fácil encontrado nas lavouras fizeram a população aumentar com facilidade.


A ótima capacidade de adaptação a qualquer mudança provocada pelo homem e o aumento das florestas de eucalipto foram fatores decisivos para a proliferação da espécie. A myiopsitta monachus, vulgo caturrita passou a ser um dos problemas sérios para a agricultura e uma dor de cabeça para agricultores e técnicos. 


A tirania do bicho mexeu com os brios da pesquisa, o então pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Eliezer Winkler desenvolveu uma forma de controle ecológica, um espantalho do tipo pandorga ou pipa em formato de gavião, seu predador natural. A pipa-gavião era feita com plástico preto, aquele utilizado na cobertura de canteiros de hortas, o espantalho funciona como um móbile, movimentando-se com a ação do vento e espantando as caturritas.



O Terra Sul, programa de televisão realizado pela parceria Emater/RS e Embrapa, com reportagens focadas no desenvolvimento regional teria, logicamente, que produzir uma matéria mostrando a situação. Seguindo a velha e eficiente fórmula de produzir qualquer material jornalístico, a equipe de produção colocou em prática um esquema infalível para fazer uma boa reportagem: identificou o problema = caturrita; a causa = desmatamento; a ou as conseqüência(s) = prejuízo na lavoura; a ou as alternativa(s) = pipa-gavião.


A equipe saiu a campo para produzir a reportagem na companhia do pesquisador, a fonte número 1, considerada a principal numa entrevista. O Eliezer estava junto e tudo foi acontecendo normalmente na gravação das imagens. Seguiram os depoimentos dos produtores prejudicados, dos técnicos, da pesquisa, lavouras danificadas, desmatamentos, vôos da caturrita sobre as plantações e a pipa-gavião ao vento guardando as espigas de milho, mas nada de conseguir a cena principal: As aves comendo o milho, destruindo a lavoura. O dia acabou e não foi possível fazer a imagem da caturrita comendo milho. 


No dia seguinte começamos a edição do material sabendo que faltava algo para completar a matéria. Alguém deu a sugestão de colocar alguns pés de milho no estúdio, com a palha aberta e com os grãos aparecendo. Foi uma idéia maluca, mas que foi colocada em prática, não havia tempo para sair e produzir a cena, as caturritas voavam em bando, eram ariscas e estavam a quilômetros. Nossa sorte foi que, alguns moradores próximos da Embrapa, tinham as conhecidas “cocótas” em casa e nem estavam presas em gaiolas, pois eram mansinhas e alfabetizadas, falavam palavrões fluentemente. 


Pois bem... Ligamos as câmeras e deixamos os bichinhos à vontade sobre os grãos de milho, elas (cocótas/caturritas) deliciaram-se e assim ficou mais completa a matéria de TV, embora não tenha sido a saída ideal, pois nada substitui a situação real na lavoura, como realmente acontece.


De tudo isso, fica a lição do improviso e da criatividade, na época utilizamos o recurso do croma kei ou cromaqui. “Fizemos assim: colocamos quatro ou cinco pés de milho em frente uma grande tela azul, que pode ser verde, depois da gravação a tela pode substituída ser por imagens ‘ilha de edição”, no caso por uma lavoura de milho em ponto de colheita. Tais efeitos ainda são muito utilizados na televisão, agora com a ajuda do computador, esses retoques produzem efeitos visuais que ajudam a criar universos fantásticos e perfeitos, tornando tudo mais verossímil e mais divertido para o espectador.





Marco Medronha     mmedronha@hotmail.com

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Saída de mestre



 Ilustração: Wilmar Marques

O programa Terra Sul, produzido pela parceria Embrapa e Emater/RS, iniciou a veiculação de reportagens para televisão em 1993, utilizando a moderna tecnologia de produção e edição da época, o sistema Super VHS. A equipe era formada por jornalistas, estudantes de comunicação e técnicos do setor agropecuário, das duas instituições. Os procedimentos de trabalho eram semelhantes a qualquer emissora de TV: reuniões de pauta, saídas a campo para produção de matérias, edição de áudio e vídeo, avaliação do produto final, conservação e manutenção de equipamentos.

Alguns problemas que existiam e que provavelmente ocorram hoje, também eram semelhantes aos de qualquer equipe de televisão, eles acontecem principalmente porque somos pessoas e por tanto, falíveis. Certo dia, o jornalista Antônio Heberlê, solicitou ao jovem estagiário cinegrafista que preparasse o equipamento de gravação para viajar ao interior de São Gabriel, a fim de produzir uma reportagem sobre pecuária em uma propriedade rural. O jovem acadêmico feliz com a oportunidade de viajar e produzir sua primeira reportagem como cinegrafista, arrumou animadamente a “maleta” de equipamentos.

Depois de viajar cerca de 400 quilômetros, a equipe chegou à propriedade rural. Enquanto o Heberlê conversava com o produtor, o jovem cinegrafista aprendiz suava frio e não começava a gravação. Foi então que com a voz trêmula disse: - Esqueci de trazer a fita professor. Isso poderia ser um problema para qualquer um, menos para o professor Toninho, o mestre com muita calma pensou... “Onde vou arrumar uma fita para gravar neste mundão de Deus”? Em volta só campo, lavoura, gado no pasto e ao longe a casa do produtor rural. Sem demorar muito ele perguntou ao humilde produtor: - Por acaso o senhor não teria lá nas casas, uma fita? Ele pensou um pouco e falou: - Não senhor... Mas a minha esposa disse que comprou algo para gravar o casamento da nossa filha, no mês que vem. Está lá guardado e eu nem vi direito o pacote.

O Toninho, além de competente tinha sorte, o tal pacote era uma fita VHS, quando ele olhou disse: - Está salva a gravação. Pegou a fita e fez, com arame quente, furos iguais os da fita Super VHS. Assim com a improvisação e graças ao conhecimento superior do jornalista, a reportagem foi produzida com êxito. Ao jovem estagiário ficou a lição de que o check list é fundamental antes de qualquer viagem e que o desespero não leva a lugar algum.

Resumo histórico da fita de vídeo
O advento do vídeotape (fita de vídeo) trouxe para televisão, inúmeras oportunidades de crescimento, a possibilidade de gravar programas para posterior exibição proporcionou fôlego aos programas feitos, até aquele momento, ao vivo. A nova tecnologia de gravação em fita magnética foi realizada, pela primeira vez no Brasil, no programa humorístico de Chico Anísio, em 1960. Mas foi a partir da próxima década que a competição das grandes empresas do setor começou, a Sony inventou o U-Matic, o formato da fita já em cassete, trazia uma bitola de ³/4 de polegada em vez de 2 polegadas.

O sistema U-Matic trouxe agilidade para as gravações externas, principalmente reportagens, no formato anterior eram utilizadas câmeras com filmes 16 mm, os quais deveriam ser revelados e depois montados. Alguns problemas surgiram e o principal foi na edição das reportagens, o procedimento era feito manualmente, a conseqüência: pulos de imagens. Começava aí o desenvolvimento da edição eletrônica para eliminar os cortes, a própria Sony lança em 1975, o Betamax (fita cassete de 0,5 polegadas). Dois anos mais tarde, a também japonesa JVC (Japan Victor Company) lança a grande revolução para uso doméstico: O sistema VHS (Vídeo Home Systen).

A disputa por mais tecnologia continuou. Para melhorar a resolução do material gravado, a Sony desenvolveu o Betacam, sistema vídeo-componente onde os sinais são gravados separadamente. O sistema analógico é encontrado até hoje nas emissoras de televisão do País. Posteriormente, em 1987, a Panasonic e JVC apostaram em um sistema intermediário de vídeo-componente, também conhecido como S-Video. Surgiu então S-VHS (Super VHS), um aperfeiçoamento do formato doméstico VHS.

Mesmo em plena era digital, a passagem do sistema analógico para o digital ainda persiste e por certo teremos muitos registros a fazer.

Marco Medronha        mmedronha@hotmail.com


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sinal de alerta no campo


Foto: Katia Marcon
No dia 28 de julho a classe trabalhadora do meio rural comemora o “Dia do Agricultor”, data que deveria ser muito mais festejada pelos habitantes do meio urbano, pois vêm do campo os produtos que consumimos diariamente. Sabemos que o agricultor é aquele que trabalha a terra para tirar o sustento, cuida das plantações e das criações com a finalidade de produzir alimentos que mantém viva as populações.
Esta pode ser uma definição simplista, mas é extremamente importante que todos saibam quem produz e quem consome, na medida de que o agricultor não deveria nunca mais ser visto como alguém sem valor e por muitas vezes ridicularizado por aqueles, sem noção, que moram na cidade. Ao contrário, o agricultor deveria ser visto e entendido como pessoa muito importante para a sociedade. Talvez mais que o vereador, o prefeito, o deputado, o senador, o governador e quiçá o (a) presidente da república.
Mesmo com todo o noticiário anunciando com freqüência recursos como: programas e projetos, verbas destinadas ao setor, o voluntarioso trabalho da extensão rural e da assistência técnica, o êxodo rural continua de forma galopante. Com o desenvolvimento não sustentável as cidades incham e o meio rural diminui assustadoramente. Segundo dados do senso do IBGE, realizado ainda em 2006, existe no Rio Grande do Sul, 442 mil estabelecimentos rurais e desses quase 120 mil não teriam mais a presença de jovens (14 a 24 anos).
O quê fazer para segurar o jovem no campo diante de tantos apelos da cidade? O certo é que as estratégias utilizadas atualmente não estão dando resultado. Quantos programas lançados, quanto recurso insuficiente, quantos esforços desprendidos em vão para tão pouco efeito. Os mais velhos persistem nas terras e possivelmente estejam utilizando métodos antiquados de sucessão da propriedade.
A sociedade tem que ficar alerta, o sinal vermelho acendeu no rural e este é um problema de todos. O tema deve ser discutido na célula familiar, nos pequenos grupos, na comunidade, ganhar as cidades, o Estado, o País. Não vou incluir a classe política no assunto para não passar a régua e dizer que nada fizeram de efetivo até agora, a final ainda temos a esperança de que existem políticos do bem e que seus projetos são bem intencionados.
Enfim, este é um problema complexo demais para ser tratado apenas aqui na coluna do “repórter rural”, mas deixo meu pedido, quase implorando, que pensem no assunto. Vamos realizar reuniões, seminários, congressos. Precisamos ajudar as famílias rurais que não sabem mais o que fazer para segurar os filhos. Eles saem em busca de uma “vida melhor”, mas todo conforto da cidade, da modernidade e da tecnologia pode existir também no meio rural. Dê sua contribuição em forma de sugestão, isto não custa nada e pode representar muito no conjunto das idéias.

Marco Medronha          mmedronha@hotmail.com




sexta-feira, 13 de julho de 2012

Entrevista dialógica

    
                                                           Imagem: Juliana.oliveira.blog.uol.com.br
A profissão de jornalista nos permite com freqüência realizar, em algumas oportunidades, matérias prazerosas e que nos dão satisfação por trazer à tona informações das quais possam ser de interesse da sociedade. Mesmo que a reportagem trate de um tema amargo, ela pode de certa forma, construir algo novo em quem produz ou em quem recebe a mensagem.
Em uma reportagem de rádio, jornal ou televisão a entrevista é sem dúvida o segmento mais importante, pois é ela que pode trazer o verdadeiro protagonista do assunto a ser desenvolvido. No entanto, o profissional do jornalismo deve estar instrumentalizado com informações sobre o tema, e mais que isto, saber conduzir a conversa de maneira a considerar em primeiro lugar o outro.
A busca deve ser pelo formato de entrevista dialógica, neste caso temos outro componente fundamental: A atenção. Certo dia realizando uma reportagem, no meio rural de Pelotas, entrevistando uma trabalhadora da agricultura familiar, perguntei: - Como é a vida no campo? Ela respondeu: - Aqui eu sou muito feliz... Prefiro viver mais na cidade, do quê no campo. A entrevista continuou e eu não prestei a atenção que devia a resposta da entrevistada. Minha sorte foi a sua filha, que estava prestando atenção na resposta da mãe e corrigiu ao final. Engraçado nesta história foi que tivemos de repetir inúmeras vezes e a entrevistada, pois ela não conseguia expressar aquilo que desejava: - Prefiro viver no campo.
Ao comparar com as teorias da comunicação podemos dizer que a entrevista concepção de Rogers “é um encontro interpessoal que se desenrola num contexto e numa situação social determinado implicando a presença de um profissional e um leigo”. Ou ainda, segundo Morgan (1988), a entrevista é “uma conversa intencional, geralmente entre duas pessoas, embora por vezes possa envolver mais pessoas e ser dirigida por uma das pessoas, com o objetivo de obter informações sobre a outra”.
Os tipos de entrevista são: Não estruturada, estruturada e semi-estruturada. A não estruturada, o entrevistador propõe um tema, o qual se desenvolve ao fluir da conversa, as questões emergem em um contexto imediato. O entrevistador promove, orienta e encoraja a participação do sujeito e estimula a tomada de consciência do entrevistado.
Por fim, a linguagem do entrevistador deve ser acessível para o entrevistado, deve também ser de interesse do mesmo, o tema deve construir um tipo de estímulo ao entrevistado, devemos levar em conta o comportamento não verbal do entrevistado e a informação recolhida deve ser tratada com a máxima responsabilidade.
Marco Medronha           mmedronha@hotmail.com

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pelotas: Um pedido dos Anjos

    Catedral São Francisco de Paula, em 1902 
Gurpo Euamo Pelotas. Foto postada por Laila B. Peres
Nas comemorações dos 200 anos de Pelotas, ainda é possível ao caminhar pelas ruas da cidade e encantar-se com a arquitetura grandiosa do casario antigo. Ao parar para contemplar, talvez com um pouco de imaginação, poderemos ouvir os saraus, recitais de música e até mesmo o alarido das companhias teatrais. Segundo conta a história, os doces caseiros eram servidos por mulheres caseiras e suas mucamas nos intervalos de cada espetáculo.
Ao completar dois séculos de existência é impossível passar indiferente ao coração de quem adotou ou foi adotado, o momento pede a busca de raízes e conhecimento das origens de uma cidade que acolhe pessoas com tanto carinho. Os relatos históricos da origem de Pelotas revelam que no dia 7 de julho de 1812, o padre Felício foi ao Rio de Janeiro a mando, da família Antônio dos Anjos, para solicitar às autoridades competentes a criação da nova freguesia, a qual foi chamada São Francisco de Paula.
Certo dia fazendo uma reportagem sobre as charqueadas de Pelotas, conheci o escritor e poeta Mário Osório Magalhães, ela me presenteou com uma de suas obras: Os passeios da cidade antiga. Nesta publicação está a origem das principais ruas e avenidas de Pelotas, assim como um breve histórico de várias personalidades que foram homenageadas e deram seus nomes a nossos endereços. Claro que Antônio dos Anjos foi lembrado, em pelo menos uma rua, assim como o padre Felício.
Quero resgatar aqui um pouco dos pioneiros que são personagens na formação da cidade. Antônio dos Anjos foi charqueador de grandes posses, capitão-mor desde o primitivo distrito Vila do Rio Grande. Foi também o primeiro proprietário dos terrenos que deram origem ao povoado. Batizado como Antônio Francisco dos Anjos, logo que cresceu foi apelidado de “fragatinha”, por ser filho de contramestre de navio.
O padre Felício, talvez tenha nascido na Colônia Sacramento (ou numa outra província de Buenos Aires, ou até mesmo em Rio grande), não se sabe ao certo. Em 1810 viajou ao Rio de Janeiro para criar uma nova unidade Eclesiástica (uma nova freguesia), em um lugar chamado “Pelotas”. Dois anos depois o objetivo foi alcançado, receberia o nome de “São Francisco de Paula”, nome da Catedral, onde possivelmente foi enterrado, quando faleceu em 1819.
Se Antônio dos Anjos e padre Felício foram os mentores, José Pinto Martins, o português, que em 1779, vindo do Ceará, provocou uma verdadeira revolução metade sul do Estado: fundou a primeira fábrica de salgar carnes às margens do arroio Pelotas. Com Pinto Martins veio as charqueadas que deram origem ao desenvolvimento econômico de Pelotas e região.
O gado bovino, que era matéria prima abundante no campo, logo ganhou a companhia do arroz, o município começou a experimentar o potencial econômico da atualidade. Pelotas, como um pedido dos Anjos, se completa com as belezas da Lagoa dos Patos (praia do Laranjal) e outros pontos turísticos da região Colonial onde os visitantes podem encontrar cachoeiras, trilhas ecológicas, antigas construções, culinária típica dos imigrantes italianos, franceses e pomeranos.

Marco Medronha
mmedronha@hotmail.com