sábado, 3 de novembro de 2012

Era uma vez... Um ouriço


Era uma vez um ouriço que voltava de viagem num luxuoso trem Maria Fumaça. E vinha assobiando uma alegre canção. Mas, de repente, nosso herói ouviu uma conversa que o deixou todo arrepiado. Na cabina ao lado, dois cães falavam em explodir o trem com dinamite, assim que chegassem à estação de Pelotas.

Quando o trem parou em frente uma fazenda, para deixar passar uma boiada, os dois cães desceram... - Depressa, antes que nos vejam! Disse um dos cachorros dinamitadores. Mas, do trem, o ouriço observava tudo encontrou uma solução. Começou a gritar a primeira coisa que lhe veio à cabeça para chamar a atenção de todos:
 - Encontrei OURO na linha do trem! OURO!

O coelho veio correndo, o porco também e depois toda a cidade, todos os animais. Mas o ouro era falso, pedras amarelas de uma velha mina abandonada. Os animais, em um primeiro momento, ficaram furiosos. Só depois que ficaram sabendo que o ouriço havia salvado a todos de uma grande explosão. Quando os animaizinhos souberam da verdade correram para abraçar o herói. E assim, todos receberam o castigo pela ganância, pois ao abraçar um ouriço não é coisa muito agradável.

Caros leitores e leitoras... Este foi o primeiro livro que li, da Coleção Era Uma Vez, presente da minha querida professora, Marli Almeida Villela. A história infantil são fragmentos da minha inserção no mundo da leitura. No livro comecei a formar minhas primeiras imagens através da imaginação das personagens e das situações de improviso e senso que a vida oferece. Entre estas, o dualismo sociais do herói/bandido, a mentira/malandragem, a ganância/punição.

O livro é transformador e uma fonte de conhecimentos para tudo, desde os infantis até os mais complexos, ele proporciona momentos de prazer, suspense, romantismo e tantas outras sensações possíveis de mexer com a gente. Estamos precisando exercitar nossos neurônios. A Feira do Livro é uma ótima oportunidade de buscar a própria mudança e proporcionar que outras pessoas mudem.

Só não quero contar aqui esta história: Era uma vez... Um menino internauta que não conheceu o livro.


Marco Medronha      mmedronha@hotmail.com 

domingo, 28 de outubro de 2012

Lindos seios













Ilustração: Wilmar Marques




A grande maioria dos municípios da Região Sul do Estado realizam suas exposições feira, a partir do mês de outubro. É uma excelente oportunidade de negócios para os produtores rurais, momento em que se apresenta ao público em geral toda a qualidade da produção agropecuária, especialmente dos ovinos, eqüinos e bovinos. Nas feiras, compradores e visitantes podem encontrar as tecnologias para o setor de máquinas, equipamentos e o melhor da genética dos animais.

Nesta época, excursões de agricultores de várias localidades do interior vão em busca dos melhores resultados do setor, com o objetivo de investir na propriedade rural. Para alguns, a feira é uma das raras oportunidades de sair da porteira para fora e uma possibilidade de integração com outros produtores. Nestas ocasiões, os técnicos costumeiramente acompanham os grupos de agricultores.

Quando atuei como extensionista rural, tive o privilégio de acompanhar alguns desses grupos. Na maioria pessoas muito simples, interessadas, educadas e como cada um de nós, passíveis de cometer enganos que não prejudicam em nada a relação entre amigos. Certo dia caminhava com o seu Marcos, agricultor, em um corredor com exposição de vacas leiteiras, em Pelotas. De repente, ele parou e admirado olhando um grande úbere, disse: - Olhe doutor... Que lindos seios têm essa vaca! Na hora tive vontade rir, mas não o fiz. Compreendi que ele tentou argumentar bonito... Talvez pra não falar “tetas”, temendo ser palavra “feia”.

As mamas (conhecidas popularmente também como seios ou peitos nos humanos, também são chamadas de tetas nos demais animais). Talvez seu Marcos não saiba, que toda palavra pode ser bonita, quando o motivo é nobre e o coração é puro. Ele levou aquela vaca holandesa de seios, digo de tetas fartas para sua propriedade, melhorou a genética de seu plantel e atualmente é a produção de leite que garante a renda e o sustento da família.


Marco Medronha      mmedronha@hotmail.com

sábado, 20 de outubro de 2012

Meio verde meio cor de rosa


Ilustração: Wilmar Marques

No meio rural é comum encontrar imigrantes, principalmente na colônia, com dificuldades na fala do idioma português. Fato perfeitamente compreensível, pois a aquisição da linguagem teria como referência a pátria mãe (alemães, poloneses, italianos...). O alfabeto estrangeiro da maioria dos colonos possui entre 21 a 32 letras, o que talvez justifique o aprendizado mais facilitado da língua, embora os tropeços sejam inevitáveis.
Quando trabalhei como extensionista rural, acompanhei um diálogo no mínimo engraçado, um colono alemão tentava vender uma vaca para um “brasileiro”. No meio da negociação o “brasileiro” perguntou: - Qual a cor do pelo da vaca? O alemão sem pensar muito disse: - Meio verde meio cor de rosa. Logo percebi que ali poderia ter alguém sem domínio do idioma português ou quem sabe, com pouco conhecimento das cores e até mesmo sofresse de perturbação da percepção visual, o daltonismo.
Segundo alguns artigos especializados existem diferentes tipos de daltônicos, pessoas que possuem alguma deficiência para enxergar as cores: Deuteranopia: Ausência de vermelhos. O vermelho parece cinza-esverdeado e o roxo não aparece. O verde parece meio acinzentado e o tom da pele perde o rosa.
Protanopia: Parece muito com a uma deuteranopia, mas não é mesmo. Exceto que o vermelho parece ser cinza escuro.
Tritanopia: O amarelo vira um rosa claro. Não há laranja. O azul do céu muda, assim como todos os vermelhos. O que você mais enxerga se parece com tonalidades de rosa e azul. A imagem fica mais embaçada.
Imagino que a pelagem da vaca do nosso querido colono poderia ser uma Jersey malhada (amarelo e branco) ou até mesmo uma vaca Holandesa européia (vermelho e branco). O certo é que estou fazendo uma simples dedução, pois é muito difícil imaginar o que o outro vê.
Segundo estudos, a vantagem para aqueles que possuem problemas para enxergar cores como o vermelho e o verde é que elas são melhores em detectar camuflagens. O mesmo ocorre com os portadores de dicromacia. Eles são mais apurados para avaliar texturas e dificilmente são enganados pelos padrões de cor. [fonte: Gene Reviews].

Marco Medronha

sábado, 13 de outubro de 2012

Os professores do bem



Nos caminhos da vida, todos nós tivemos professores. Quero destacar aqui os que foram importantes para nossa formação e decisivos na aprendizagem, nossos ídolos, os educadores ou educadoras do bem. Devo admitir que, na linha do tempo, não foram raros os professores da maldade, mas eles ficaram na fumaça do passado, pois um dos ensinamentos que aprendi é que o bem, assim como o amor, sempre prevalece.

Para a grande maioria, os professores pioneiros foram os pais, referências quando guiaram nossos primeiros passos, nos deram alimento, ajudaram na aquisição da linguagem, construíram demonstrações de carinho, mostraram os perigos da convivência social, estiveram ao lado como companheiros e amigos. Para alguns de nós, os pais foram os tios, avós, parentes próximos ou até mesmo desconhecidos apenas no início, eles poderiam ser dois ou apenas uma pessoa que se doa com amor incondicional.

Quando começamos a frequentar a escola formal surgem outras pessoas importantes. As “tias” e os “tios” do pré, o encanto pelos professores do ensino fundamental, a contestação injusta aos educadores do ensino médio (na adolescência), a aposta nos professores do ensino superior e da pós-graduação. O certo é que, em todas estas fases ou em pelo menos uma delas, tivemos professores ou professoras do bem, aqueles inesquecíveis, porque foram balizadores na formação do nosso caráter.

No dia do professor, 15 de outubro, desejo homenagear os mestres do bem. Figuras ilustres que figuram como heróis da minha existência e eles não foram poucos. Eu te convido a fazer uma reflexão e buscar no túnel do tempo, educadores que foram fundamentais em tua vida. Quem sabe eu e tu possamos nesta data lembrar, de pelo menos uma pessoa importante em nossa educação e, num ato de gratidão escolher um meio de enviar uma mensagem ao querido professor ou professora do bem.

Marco Medronha     mmedronha@hotmail.com

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Vote nos candidatos do PPR


Ilustração: Wilmar Marques

Nas campanhas eleitorais, os candidatos fazem suas propostas para ganhar o voto do eleitor. Quero acreditar que todos eles querem o melhor para a população, mas está cada vez mais difícil acreditar nisso, dado o nível apelativo, demagógico e desgraçadamente debochado de parte dos candidatos no horário político. Por favor... O eleitor não aguenta mais o baixo nível das campanhas. Parabéns! A você candidato que percebeu isto.

No sentido de colaborar com os políticos, para que promovam propostas úteis e coerentes, faço analogia do município com a propriedade rural e lanço, de forma fictícia é claro, o Partido da Propriedade Rural (PPR), com bases sólidas em práticas de conservação do solo e na produção sustentável no campo. As plataformas de ação do partido são direcionadas à agricultura familiar e irão garantir a segurança alimentar, o êxodo rural e a fartura na mesa do campo e da cidade.

Candidatos a vereadores do Partido da Propriedade Rural:
Análise do Solo – Possui grande capacidade de enxergar as deficiências do solo. A partir de um punhado de terra analisada pode trazer grandes benefícios à propriedade ao indicar suas necessidades. É a candidata da saúde, que faz muito com pouco.
Calcário – Presta grande serviço para a educação do solo, sendo responsável pela correção da acidez. O calcário trabalha junto com a Análise do Solo, pois é ela que indica as quantidades, inclusive de elementos para a adubação com fertilizantes.
Terraço – É o candidato da segurança, ele garante que sendo bem feito, de base larga ou estreita, não deixa a chuva nem os ventos roubarem sua terra. Eleger o terraço para sua propriedade é garantia de solo para a produção.
Cisterna – A candidata tem excelentes condições de suprir os períodos de falta d’água. Durante as chuvas, ela capta dos telhados para seu interior, através de canos ou calhas, quantidades de água boa para saciar a sede das pessoas, animais ou irrigar as plantas. É a candidata do abastecimento.
Floresta – É a candidata do meio ambiente.  Quando ela é compreendida como Área de Preservação Permanente nos topos de morros, encostas e margens de rios mantêm o equilíbrio da flora e da fauna. Pode ser fonte de lazer, a Floresta sabe valorizar a propriedade rural.
Artesanato – O candidato que promete rendimento extra para as famílias rurais tem grande capacidade de transformar em fonte de renda o que é descartado na propriedade. Normalmente precisa de inspiração para ser criado, mas promete satisfação para quem o produz.
Agroindústria – É uma candidata ligada a economia familiar tem a capacidade de aproveitar os alimentos que não são vendidos in natura. É transformadora, auxilia na renda e pode ser a solução alimentar para os períodos de entre safra. 

Candidato a prefeito do Partido da Propriedade Rural:
Agricultor – Trabalhador ou trabalhadora rural, grupo familiar disposto a aplicar as ferramentas de gestão na propriedade, receber assistência técnica, trabalhar em formas associativas e cooperativas.
Escolha os candidatos do PPR para ter mais qualidade de vida no campo.


Marco Medronha       mmedronha@hotmail.com 

sábado, 29 de setembro de 2012

O Turismo Rural e a Copa do Mundo

Lagoa dos Patos - São Lourenço do Sul

A proximidade do evento Copa do Mundo de 2014, no Brasil, enche de otimismo diversos setores da economia em todo o território nacional. Os investimentos em infra-estrutura já começam a aparecer nos municípios sedes (capitais), principalmente nos complexos urbanos. Aeroportos, estádios, anéis viários, hotéis, transportes recebem recursos vultosos e transformam as paisagens dia a dia. As pessoas se capacitam e buscam a profissionalização, com o objetivo de receber bem os estrangeiros, delegações de outros países movidos pela paixão do futebol. 
Há aqueles contrários à realização da Copa, que mesmo não sendo a favor sabem da inevitável mudança, mas estamos certos que a Copa vai ajudar muita gente e que não será a solução para os graves problemas sociais brasileiros. Defendo aqui um setor que conheço e que caminha à margem dos grandes investimentos, me refiro ao turismo rural. A região Sul do RS possui poucas chances de sediar, com Centros de Treinamentos, as seleções que virão ao Estado jogar a Copa do Mundo. Embora não tenha sido oficialmente escolhida pela FIFA, precisa mostrar seu potencial para aqueles turistas que procuram cenários únicos e diferentes e estão dispostos a deixar nos pampas dólares, euros e outras moedas valorizadas.
Nesta semana, quinta-feira, 27 de setembro comemoramos o Dia Mundial do Turismo, pode ser quem sabe, uma boa oportunidade para os estrategistas em marketing e entendidos do turismo pensar em estratégias para mostrarmos ao mundo tudo que de belo temos: As lagoas, as planícies, as colônias, os rios, os pampas, as criações, nossa gastronomia e principalmente nossa maior atração: as pessoas do Sul. Será um pecado muito grande nossa gente perder este momento único de congraçamento com outras nações, assim como tenho certeza que os turistas deixaram de ter ricas experiências e grandes lembranças dos gaúchos daqui.
A FIFA ((Federação Internacional de Futebol e Associados) e o COL (Comitê Organizador Local) selecionaram, ao todo, são 54 locais (quatro na região Norte, três no Nordeste, três no Centro-Oeste, 30 no Sudeste e 14 no Sul) espalhados por 14 Estados. De acordo com a entidade máxima do futebol, a lista é uma recomendação para as seleções e será enviada para todas as federações que estão disputando as eliminatórias para o Mundial. No Rio Grande do Sul, estes são os CT’s escolhidos até o momento:
Bento Gonçalves-RS - Dall'onder Grande Hotel / Estádio das Castanheiras
Bento Gonçalves-RS - Hotel & SPA do Vinho / Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos
Lejeado-RS - Inn Italy Hotel / Centro Esportivo Lajeadense
Caixas do Sul-RS - Intercity Premium / Estádio Francisco Stédile
Caxias do Sul-RS - Samuara Hotel / Estádio Alfredo Jaconi
Porto Alegre-RS - Plaza São Rafael Hotel / Complexo Esportivo da Ulbra (Canoas)
Viamão-RS - Vila Ventura Hotéis / Centro de Treinamento Vila Ventura

As escolhas foram justas e acertadas, pois devemos reconhecer que os investimentos em turismo se deram, até o momento, com maior intensidade na Serra, inclusive no meio rural. As regiões do Estado possuem suas especificidades, potencialidades e são igualmente ricas em contextos históricos e paisagísticos, as pessoas são hospitaleiras e desfrutam de uma mesma identidade no cultivo das tradições. Mas então, o que estaria faltando para que o Sul do Rio Grande deixar de ser apenas um corredor de passagem? Para esta pergunta teríamos muitas respostas diferentes, mas acredito que uma seria comum: A mobilização de todos.
Porém é bom continuar atento, pois os 32 países que se classificarem para o torneio não serão obrigados escolher os campos da lista oficial para a preparação no Brasil. Caso um Centro de Treinamento fora da relação seja escolhido, a Federação terá que conversar com a FIFA para a inclusão do local na lista de credenciados. Uma segunda versão será divulgada no segundo semestre de 2013, e novos CTs poderão se inscrever para receberem vistorias do COL. A relação completa, que sairá no segundo semestre de 2014, deverá ter entre 80 e 90 centros (o mínimo é 64).

Marco Medronha    mmedronha@hotmail.com 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os Gaúchos do Sul e a Semana Farroupilha

Museu Histórico Farroupilha, Piratini/RS

Os gaúchos durante a Semana Farroupilha comemoram um dos mais significativos movimentos de revoltas civis do Brasil, lutas que envolveram vários segmentos sociais. Basicamente, relembram a Guerra dos Farrapos contra o Império, de 1835 a 1845. A data de 20 de setembro foi escolhida como marco inicial da revolução, dia em que homens armados, comandados por Gomes Jardim e Onofre Pires entraram em Porto Alegre.
Na nova capital instalada em Piratini foi então proclamada, a República Rio-Grandense. O movimento revolucionário teve como bandeira os ideais liberais, federalistas e republicanos. É nesta época do ano, mês de setembro, que os sentimentos afloram e nos vários municípios do Estado, principalmente onde aconteceram batalhas e fatos marcantes da revolução, homens e mulheres demonstram orgulho de um povo aguerrido.
Além da primeira Capital Farroupilha, importantes batalhas se deram nos municípios da Zona Sul: Segundo registros históricos do próprio Museu Histórico Farroupilha, em Piratini, a Batalha de Arroio Grande ocorreu a 26 de novembro de 1844, em local próximo ao Arroio Chasqueiro, no então distrito de Arroio Grande que fazia parte de Pinheiro Machado.
Teixeira Nunes e os Lanceiros Negros remanescentes da Batalha dos Porongos foram enviados por David Canabarro para uma ação na retaguarda inimiga. Resultou no massacre do Corpo de Lanceiros Negros de Teixeira Nunes, que estavam acampados na curva do arroio Porongos, no atual município de Pinheiro Machado quando foram atacados pelos imperiais. Em Porongos foi o último confronto da Revolução Farroupilha.
Em Candiota, cruzando o arroio Seival, deu-se outro embate nos campos dos Menezes. A Batalha do Seival teve como objetivo de derrubar o presidente da província, apenas, os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais. Destacado por Bento Gonçalves, o coronel Neto deslocou-se, no início de setembro de 1836, à região de Bagé, onde encontrava-se o comandante imperial João da Silva Tavares, vindo do Uruguai. A primeira brigada de Neto, com 400 homens, atravessou o arroio Seival e encontrou as tropas de Silva Tavares sobre uma coxilha, com 560 homens. A batalha foi o conflito militar que ensejou a proclamação da República Rio-Grandense por Antônio de Sousa Neto.
As grandes batalhas do passado que aconteceram na região, até hoje inspiram os gaúchos do sul do Brasil. O exemplo de coragem dos Farrapos, parece impregnado nos habitantes, pois apesar das dificuldades enfrentadas em todos os setores, nada está perdido, muito pelo contrário, da perseverança vem a recompensa e o quadro já se apresenta animador.